CRÓNICAS E ENTREVISTAS

 COMO AJUDAR EFICAZMENTE AS VÍTIMAS DA TEMPESTADE KRISTIN
Publicado em: 03/02/2026
É muito importante que os miúdos percebam a dimensão destas calamidades, mas é fundamental dar-lhes a oportunidade de ajudar de alguma forma, combatendo a paralisia e o sentimento de impotência.


Querida Mãe,

Viemos de uns dias de férias e fomos surpreendidos pela dimensão dos estragos que esta tempestade Kristin causou. Tinha conseguido estar desligada, mas quando rebentei a bolha e o meu pequeno ecrã se inundou de imagens, testemunhos e relatos senti primeiro um choque de empatia e, depois, uma onda de confusão. O essencial — o sofrimento das pessoas afetadas e a onda humanitária de ajuda —, perdia-se no meio de comentários a atacar alguns “influencers” por falarem demais, supostamente para ganharem likes com a tragédia alheia, e a destruir outros por falarem de menos (supostamente indiferentes à desgraça).
Mãe, é tão triste como a discussão passa rapidamente das vítimas para a critica, tantas vezes invejosa, que pretende concluir se os "heróis" são reais, genuínos ou fingidos. Suspeito que num exercício de desculparem a sua própria inércia.
Mas, para não correr o risco de também eu perder de vista o que realmente importa, gostava que visse a publicação na página do “Despolariza”, sobre a importância de ajudarmos de forma eficaz e coordenada. É isso que importa, e por isso deixo a esta comunidade do Birras de Mãe, canais fiáveis e oficiais para podermos unir esforços e contribuir para minimizar esta tragédia.

1. Usar a plataforma SOS Leiria que permite reportar problemas/pedir ajuda e também oferecer ajuda. É bastante simples de usar e que indica onde nos podemos dirigir com aquilo que podemos oferecer.

2. Apoio Financeiro (Oficial e Verificado)
A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima criou um Fundo de Emergência Social para apoio direto às famílias.
MBWAY: Opção "Ser Solidário" > Selecionar Cáritas Diocesana de Leiria ou através do número 961 483 691.
IBAN (BPI): PT50 0010 0000 5883 0620 0017 0.
IBAN (CGD): PT50 0035 0393 0001 9702 4329 3.

3. Juntar esforços com ações já coordenadas.
- Ação "Reerguer Leiria": Coordenada pelo município.
- Cruz Vermelha Portuguesa: Pode inscrever-se como voluntário ou contribuir através do portal da Cruz Vermelha.

Quanto ao apoio prometido pelo Governo, temos também uma responsabilidade como cidadãos e jornalistas: estar atentos ao que é proposto, mas ir verificando (quando o assunto começar a cair no esquecimento) o que foi posto em prática e o que ficou só pelo papel.

Último ponto: é muito importante que os nossos miúdos percebam a dimensão destas calamidades, mas é fundamental dar-lhes depois a oportunidade de ajudar de alguma forma, combatendo a paralisia e o sentimento de impotência — os adolescentes só têm a ganhar se os conseguir envolver numa ação direta de voluntariado, os mais novos podem contribuir com dinheiro da sua semanada, por exemplo.

Dito isto, cuidado com as imagens que os deixa ver. À noite, com a chuva e o vento a assobiar lá fora, já estão suficientemente assustados, e não precisam de imagens reais para associar ao que estão a sentir. As catástrofes naturais, exatamente porque não se conseguem prevenir, nem evitar, metem já de si muito medo às crianças, principalmente às que têm entre os sete e os doze anos, fase de desenvolvimento em que há um crescente foco nestes medos.

Beijinhos, querida mãe, e que venha o sol depressa!

***

Querida Ana,

Não tenho mais nada a acrescentar a não ser que descobri através de um vídeo na página da Cáritas de Leiria que é mesmo fácil doar através do MBWAY — no ecrã, carrega-se em ”Ser solidário” e surge uma lista de instituições, e é só escolher, sem deixar o momento da empatia passar.
A tentação de entregar géneros em vez de dinheiro é grande, porque temos sempre um diabinho atrás da orelha a dizer que o donativo pode ser desviado para outros fins, mas a verdade é que é muito mais lógico confiar numa estrutura organizada e funcional do que sobrecarregá-la com a missão de encaixotar e transportar para o local, correndo ainda por cima o risco de estar a oferecer o que já há em demasia.
Dito isto, Ana, é extraordinária a generosidade das pessoas e a felicidade que sentem quando integram um grupo de voluntários, quando juntam o seu tempo e esforço aos de outros, lutando por um objetivo comum. Basicamente, dá sentido à vida, e o “calor” que sentimos na alma não é ficção. Mas, como tu dizes, o mais difícil é manter o apoio ao longo do tempo. Que o digam os ucranianos neste inverno gelado sem aquecimento e sem luz, porque, Ana, não pude deixar de pensar neles enquanto via a destruição em Leiria — quatro anos depois, já passou o furor das carrinhas de salvamento, dos donativos, da preocupação diária e, no entanto, a guerra continua. Que venha o sol, sim, mas também a paz.



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