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CRÓNICAS E ENTREVISTAS
CONTROLO PARENTAL? SIM, MAS PARA OS PAIS!
Publicado em: 21/04/2026
O objectivo principal é impedir que os adultos da família os envergonhem, como acontece em todas as gerações, mas também proteger e controlar os pais nas suas deambulações pelas redes sociais.
Querida Mãe,
Comecei uma conta de tiktok. Como sabe, vou lançar o meu novo disco e como artista independente estou a tentar chegar a mais pessoas! Tenho a dizer-lhe que foi a experiência mais engraçada dos últimos tempos. Não me ria assim há anos. Não pelos tiktoks, que esses nem cheguei a vê-los, mas pelos olhares e comentários das minhas filhas enquanto eu tentava perceber como é que aquilo funcionava.
Uma das gémeas abriu a conta por mim no telemóvel dela, mas quando lhe pedi para me dar a password para o instalar no meu telefone, olhou para mim como se eu fosse louca. Demorei horas a convencê-la. A sua neta, querida mãe, argumentava que tinha medo que eu, e passo a citar, "ficasse viciada e como aquelas velhinhas que não param de mandar tiktoks idiotas aos amigos", mas, cá para mim, estava era com medo de que pudesse publicar sem o controlo dela, envergonhando-a numa rede "relevante".
Quando finalmente ia gravar um vídeo desataram a rir desalmadamente (publiquei-o, a mãe pode ir ver!), porque aparentemente fiz uma Pausa Millenial! E foi aí que comecei a ri sem conseguir parar... Mãe, aparentemente os millenials fazem uma pequena pausa antes de começar a atuar para a câmara, damos uns segundos, mas já os miúdos não hesitam e logo que o botão se liga, falam animadamente sem ponta de embaraço.
Enfim, foram muitas mais as humilhações, mas poupo-a aos detalhes. A moral da história é que me senti velha, mas graças a si aprendi a rir de mim própria, por isso valeu bem a pena!
***
Querida Ana,
É uma ideia genial, essa que as tuas filhas indiretamente propõem: uma aplicação de controlo parental que controle os pais! É evidente que o objectivo principal é impedir que os adultos da família os envergonhem, como acontece em todas as gerações, mas também proteger e controlar os pais nas suas deambulações pelas redes sociais. E têm carradas de razão, porque, de facto, é muito maior a probabilidade de seremos enganados do que os enganarem a eles. Pensa bem, Ana, sem ferramentas nem experiência para navegar nessa floresta desconhecia, seguimos links que não devemos, confundirmos vídeos feitos pela inteligência artificial com a realidade, espalharmos desinformação, partilhando-a furiosamente com amigos e tudo isto se torna mais grave porque temos mais tempo livre, mais cartões de crédito, maior ingenuidade.
Ainda na semana passada comprei umas jardineiras às flores, lindas de morrer, a partir de um anúncio no Instagram — pensei que era seguro porque a marca era (parecia) portuguesa e o pagamento se fazia por MBway, com um número de telefone, mas afinal foi um scam, e nem calças, nem dinheiro — aposto que se as minhas netinhas estivessem ao meu lado, nada disto teria acontecido.
Quanto às figuras tristes, não posso ir confirmá-las (ou desmenti-las), porque não tenho tiktok, nem quero ter, mas estou absolutamente segura de que deves entregar às tuas filhas a campanha do novo disco, que é lindo e merece chegar a toda a gente. Pelo caminho fazes terapia do riso, e aprendes a evitar a “pausa millenial” e outros defeitos de velha nascida nos anos 80. Vai-me contando tudo, para ver se rejuvenesço contigo.
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