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CRÓNICAS E ENTREVISTAS
GOSTO INFINITAMENTE DE SI, MUMMY
Publicado em: 20/10/2026
Querida Mãe,
Quero muito publicar esta carta. Mas se a mãe a ler antes, não vai deixar. Por isso, vou ter de ser um bocadinho matreira e enviar diretamente para o jornal! É por isso, caros leitores, que não haverá resposta hoje!
Na semana passada, no velório do meu querido amigo Tomás Anahory, fui ouvindo os testemunhos sobre a sua vida, sobre o quanto tocou a vida de tanta gente e, principalmente, sobre como nunca perdia uma oportunidade para mostrar aos outros o quanto gostava deles. Saí de lá com a certeza de que, se há algum propósito que se pode dar à dor horrível de perdermos pessoas de quem gostamos, é relembrar-nos daquilo que é verdadeiramente importante. De largarmos todas as coisinhas estúpidas que nos impedem de amar os outros e a vida por inteiro.
E é por isso que quero muito deixar-me levar pelo exemplo que o Tomás deixou e dizer-lhe isto:
Gosto infinitamente de si, mummy. Tenho uma admiração profunda pela mulher que é. Admiro a sua generosidade, a sua empatia, o facto de ter conseguido sempre manter um equilíbrio entre força e vulnerabilidade.
Adoro como ainda se fascina com magia, com pixies e com ratinhos, e como nunca perde uma oportunidade de se rir de si própria.
Adoro que não resista a conversar com desconhecidos.
Adoro chegar a sua casa e ver mais um chapéu de palha cheio de cores, ou mais uns lençóis lindos que não resistiu a comprar.
Adoro a sua capacidade de receber pessoas em casa, de organizar jantares e iniciativas que juntam pessoas e criam memórias que nunca se esquecem.
Adoro que possa estar a brincar no chão com os seus netos e, ao mesmo tempo, a comentar comigo o sentido da vida.
Admiro que tenha sido "a miúda" das redações de jornais repletas de homens e que, de mochila às costas, tenha passado a criar e a dirigir revistas.
Acho cómico que seja uma escritora bestseller e que, ainda assim, sofra tanto da síndrome do impostor.
É sempre a primeira pessoa com quem quero conversar sobre tudo e com quem adoro estar. Como filha, mas também como mulher.
Não se preocupe, não me esqueci dos seus defeitos! De como fica obsessiva em resolver os problemas do mundo (ainda que eles não queiram a sua solução, lol), de como lhe apetece logo bater em alguém que buzine e de como o seu sangue inglês vai estremecer com esta demonstração pública de afeto e de elogios. Mas paciência, fique com a sua vergonha, que hoje a birra é minha e eu escrevo o que eu quiser!
Love you.
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